Bedroom, insomnia, 9 July ’26

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Não sei mais o que é dormir. Estou sempre desperto, ativado, como se já não estivesse encarnado. Quando finalmente vem o sono do corpo, a atividade só muda de lado. Deixo o espaço/tempo, o corpo amarelo, e passo a agir no tempo/espaço, vagando por tormentas e violências que não se concluem.
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Os dias são cheios de vazio; os ruídos, um grande silêncio. Não há vida neste lugar. Escrevo hoje sabendo que ninguém vai ler, com a alegria covarde de botar pra fora sem receber aplauso, sem levantar copa, sem ganhar um tostão.
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Escrevo com a tristeza de mil vidas neste mundo onde só o raso atrai as multidões. Esses seres gostam de disputar espaços pequenos, ignorando o vasto que lhes é oferecido. Por algum motivo, sinto essa angústia de querer ser reconhecido e valorizado, um vão ímpeto romântico que me destroi a míudo, mas nunca cumpre seu labor.
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Quem escreve quer viver. Quer existir. Mas palavras se tornaram o caminho mais certeiro para a irrelevância. Esses macacos querem imagens, coisas que brilham e fazem barulho, coisas que os façam esquecer que não são macacos.
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Seu pecado não é o excesso; é o vício em ser nada. Eles matam e morrem para ser insignificantes. Pagam fortunas para não terem valor algum um para o outro. Pagam uns aos outros para se humilhar, para se apagar, para apressar a morte da qual tanto fogem, mas que nunca chega.
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Estou preso num mundo de mortos, ossadas que se perfumam para se comer e adoecer ao som de música. Estou nos trilhos por onde não passam carros nem almas. Estou no deserto onde só o vento ainda circula. Já não há aqui o que se fazer.
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Todos os caminhos foram caminhados. Todas as melodias foram cantadas. Todos os amores foram trocados por paixões sem cor, nuvens negras que se movem apenas para chover no molhado.
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Mais uma vez estou aqui,
à deriva diante de um altar,
escrevendo o que ninguém quer ler,
sem descanso nem raiz,
sem ilusão de final feliz,
sem amargura nem sorriso,
só um fantasma,
que os insetos não deixam dormir,
e os deuses não deixam acordar.
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Tuatha Dé Bless,
Lee
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